sábado, 11 de abril de 2009













éramos nós dois,
o sal
o sol
o sal, associado ao sol , queimava em minha boca
como o desejo louco
que queimava ainda muito mais,
éramos nos dois e a lua
tímida num céu de ninguém,
suspeitávamos de nossas emoções
tão vagas eram nossas esperanças.
éramos só nós dois
e mais nada
mas
mais nada importava
a não ser nós dois


( foto Cláudia-esta que vos escreve)

quarta-feira, 18 de março de 2009

eu gostaria imensamente de entender,
mas a minha compreensão enfraquecida
não consegue suportar certas verdades,
nem ver mais aberta as feridas,
minha compreensão quer descansar.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

reflexos





A gente podia ter podido tudo.
Podia ter feito, surtir efeito;
se saíssemos do submerso,
seríamos rasos e expostos
poderíamos poder tudo,
se desnudássemos com verdades a nossa verdade
e quando muitas vezes vazamos, os nossos excessos
é porque engolimos demais nossas salivas
e toda essa acidez contida se transforma em um veneno
poderoso que
corroe o nosso corpo e deforma a nossa alma,
e quando vemos...
já é Março
de que ano mesmo?
quando vemos foi uma vida,
de quem mesmo?
os acidos deformaram nossos rostos e não nos reconhecemos
no espelho do velho banheiro,
que acolheu todos os nossos sonhos.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Alimentando a alma

Crer, de longe era algo que não apreciava fazia tempo.
O ceticismo tinha se tornado algo tão claro. E. obviamente muito mais fácil de entender.
Ao desacritar, não era preciso questionar nada.
Não haveria dúvida.
Ao contrário do que se pensa, crer gera muito mais dúvida que não crer.
As filosofias religiosas simplesmente perdem a razão de ser.
Os discursos, e até as guerras. Muito provavelmente se extirpariam da nossa realidade, e se tornariam, apenas motivos de estudos.

Acabando a crença, iam-se embora todos os pontos cegos.
Apesar de resisterem a essa teoria, todos nós sabemos que no fundo, é verdade.

E então...sobreviveríamos?

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009




Pensando bem. Ela queria se reinventar. Sem passado.
Virar a página,literalmente.
Esquecer os afetos e principalmente os desafetos.
Procurar entender aquilo que a aborrecia, embora tudo parecesse assim tão perfeito, algo de estranho acontecia em dias normais. Um aborrecimento, vazio.
Precisava se calar para (se) ouvir melhor, tinha muita esperança que seu erro estivesse ali. No alvoroçar das palavras, ditas de forma simples, rápida, sincera. Talvez, estivesse ali a desconstrução, de si mesma. A pior forma de interpretação. Não ser totalmente entendida. Era preciso mudar. Havia uma urgência nisso.
Havia em si, um desapego quase que total. Essa totalidade só não era plena, porque ela já não era mais assim, tão só.
Havia apenas a vontade de dizer sentimentos. Contar novidades descobertas na pele, centradas no coração. Havia uma necessidade estranha de gritar, quando silêncios eram superados pelo seu próprio barulho.
Na verdade, apesar de ser tão confuso, ela entendia tudo.
Era preciso se descobrir no escuro. Organizar os passos que gostam de correr, mas outros simplesmente não acompanham. Tropeçam na envergadura de uma curva existencial, ela simplesmente acelerava. Misturava as palavras com passos rápidos. Acabava atropelando os calmos, finos, cultos e também os mal educados.
Então, sofria.
Porque nem tudo o que dizia, precisava ser dito. Descobre-se isso com o tempo.
O mesmo tempo que cansa, desgasta o mesmo tempo que passa mas simplesmente ensina.
Ensina que nem sempre temos todas as verdades e nem tão pouco todas as receitas.
Simplesmente não tem-se nada.
Dá o primeiro passo. E então, tece sua vida em silêncio. E vai percebendo, aos poucos que é assim que as pessoas gostam. Ela, ela apenas segue o caminho.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

intenso

minha palidez
corou-se
com seu olhar
intenso
e doce

domingo, 4 de janeiro de 2009

eu queria não ver nenhuma
outra vida
atráz dos rostos que eu
já conheço.